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quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Livros


Conforme prometido há uns meses, aquando do post das três mentiras, aqui estou eu a revelar o número da minha biblioteca:

525

dos quais 61 são infantis/juvenis.

E não é um número definitivo!

O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá, de Jorge Amado


Uma história de amor de um gato e de uma andorinha, escrita, por Jorge Amado, como presente de aniversário para o seu filho.
É uma história gostosa, com bastante ritmo e com uma narrativa fora do vulgar.

Para além da bela história, o livro está recheado de belíssimas ilustrações, de Carybé.

Pág. 17
" (...) exibir o quê, se tudo anda à mostra e quanto mais se mostra menos se quer ver? Quem sabe, as gerações futuras lutarão contra o visível e o fácil, exigindo, em passeatas e comícios, o escondido e o difícil."

Pág. 61
"Desejo dizer que há gente que não acredita em amor à primeira vista. Outros, ao contrário, além de acreditar afirmam que este é o único amor verdadeiro. É que o amor está no coração das criaturas, adormecido, e um dia qualquer ele desperta, com a chegada da Primavera ou mesmo no rigor do Inverno. Na Primavera é mais fácil, mas isso já é outro tema, não cabe aqui.
De repente, o amor desperta de seu sono à inesperada visão de um outro ser. Mesmo se já o conhecemos, é como se o víssemos pela primeira vez e por isso se diz que foi amor à primeira vista."

Pág. 75
"O Tempo é um ser difícil. Quando queremos que ele se prolongue, seja demorado e lento, ele foge às pressas, nem se sente o correr das horas. Quando queremos que ele voe mais depressa que o pensamento, porque sofremos, porque vivemos um tempo mau, ele escoa moroso, longo é o desfilar das horas!"

sábado, 15 de agosto de 2009

Estranhas Emoções, de Kate Atkinson

Finalmente, acabei de o ler... é um livro estranho, cheio de histórias paralelas.
Demorei um pouco a prender-me à história.
No entanto, quanto mais lia, mais me apetecia saber o fim... interessante a volta que a história dá... o que as histórias dão.

Saiba mais: Bookcrossing

sábado, 15 de novembro de 2008

Pai em construção



"... resolvi perguntar-lhe o que é que ele dizia se tivesse de descrever o pai a alguém que não me conhecesse:
«Dizia que não podia falar com essa pessoa e que não podia entrar, porque o pai não o conhecia e essa pessoa podia ser um ladrão.»" (pág. 12)

"Para os novos pedagogos, bater nunca é a solução. E eu dou por mim a pensar quem serão esses novos pedagogos? Não terão eles filhos que se espojam no chão do supermercado se não lhes compram mais um brinquedo qualquer?" (pág. 79)

"Sei de pais que compraram carros mais baratos e que se mudaram para casas mais modestas só para terem os filhos em bons colégios. Eu sou incapaz de tanto altruísmo. Só mudava para uma casa mais barata se fosse para comprar um carro melhor. Não percebo a lógica de se abdicar de conduzir um BMW para colocar um filho no Valsassina e depois ir buscá-lo à porta do colégio de Fiat Punto." (pág. 94)

"As actividades extracurriculares das crianças estão muito na moda. Depois da escola, os miúdos dividem-se entre a equitação, o ballet, o karaté ou o judo, e outras actividades que tais.
Quem não tem nada para fazer depois da escola é porque é pobrezinho e mora longe. Todos os outros só têm autorização para aparecer em casa noite escura, de preferência, bastante cansados, a tempo de jantar e ir para a cama.
Os especialistas chamam a estes miúdos «crianças agenda». E porquê? Porque têm uma agenda mais preenchida que um administrador de seis empresas públicas: às segundas, é ginástica; às terças, natação; às quartas, é ballet; às quintas, karaté; às sextas, danças folclóricas do Uzbequistão; aos sábados, equitação; e aos domingos, «macacos me mordam se não há-de haver uma festinha de aniversário para impingir os putos»." (pág. 95)

"E não é só a mentir que as crianças aprendem com os adultos, também vão buscar a criatividade aos mais crescidos. São geralmente os pais que os convencem de que os presentes são dados por um velhinho de barbas brancas que nunca se vê, que a Páscoa é a altura do ano em que os coelhos põem ovos e que há uma fada que dá dinheiro a troco de dentes de leite. E depois admiram-se que as crianças sejam mentirosas." (pág. 101)

"Nos últimos anos, os pais passaram de eventuais negligentes a controlodores efectivos e as crianças são criadas e educadas numa cultura de risco zero. Os meninos não se podem sujar, não se podem magoar, não devem andar sozinhos nem falar com estranhos, não podem fazer recados nem ser achincalhados na escola." (pág. 127)

"Pai em Construção", de Francisco Abelha
(com ilustrações de Nuno Markl)
Editora Verso da Kapa


terça-feira, 1 de julho de 2008

A Sombra do Vento


Contra-capa:
Numa manhã de 1945, um rapaz é conduzido pelo pai a um lugar misterioso, oculto no coração da cidade velha: O Cemitério dos Livros Esquecidos. Aí, Daniel Sempere encontra um livro maldito que muda o rumo da sua vida e o arrasta para um labirinto de intrigas e segredos enterrados na alma obscura de Barcelona. Juntando as técnicas do relato de intriga e suspense, o romance histórico e a comédia de costumes, "A Sombra do Vento" é sobretudo uma trágica história de amor cujo eco se projecta através do tempo.


Excertos:

"Talvez fosse por isso que a adorava mais, por essa estupidez eterna de perseguir aqueles que nos fazem sofrer."

"... se algum dia tiver uma filha começará sem dar por isso a dividir os homens em duas categorias: os que suspeita que dormem com ela e os que não. Quem disser que não, mente com quantos dentes tem na boca."

"- Alguém disse uma vez que no momento em que paramos a pensar se gostamos de alguém, já deixamos de gostar dessa pessoa para sempre..."

"... um estranho nos vê como somos, e não como quer acreditar que somos."

"A maneira mais eficaz de tornar os pobres inofensivos é ensiná-los a quererem imitar os ricos. É esse o veneno com que o capitalismo cega..."

"Saberá o louco que está louco? Ou os loucos são os outros, que se empenham em convencê-lo da sua insanidade para salvaguardarem a sua existência de quimeras?"


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domingo, 4 de março de 2007

Vieste para ser o meu livro...



"É um dia triste, o de hoje. Não sei bem explicar ou definir esta sensção de término, de chegada ao fim. Detesto despedidas. E despedir-me, mesmo do ano que seja, é-me doloroso. (...)
Estamos a poucas horas (a palavra tem o peso do dramatismo que a palavra "dia" tem) de lhe dizer adeus, de nos despedirmos dos 365 que passaram. Sei lá... é a demarcação clara e indelével que existe passado e que o passado fica para trás e que o que se segue é um chorrilho de outros dias, indefinidos, incertos, vazios."
Rute

"O bom faz-se esperar ou este mundo é tão bruto e tão alucinado que pinta os lábios e os dentes só para se divertir vendo-me agastado pelo teu silêncio?"
João

"Os amores vão e vêm, vão e vêm, vão e vêm. Os estados de felicidade também. Aprendi a suportar os fins como outros inícios, como princípios de outra dimensão. É o eterno retorno do fim. E a finalidade do fim é começar de novo."
Rute

"(...) e dizer-te sem rodeios que preferia passar um minuto a abraçar-te, a ti, a tudo o que representas para mim, que passar a vida a não saber o que fazer com outras felicidades que me rodeiam."
João

"Receio ter feito de ti um hábito mais do que uma necessidade, uma rotina mais que uma dependência."
Rute

"Estás-me no sangue, dás-me poder, tornas-me indomável. Pareço o país. Como podes então questionar de quem era aquele abraço que sentiste? Se não há momento que não me sinta junto de ti, tanto que nem dou por mim? O sentimento de plenitude é tanto que não cabe no peito, e foge para ti, estejas onde estiveres, sem se incomodar com as horas, porque essa matéria só figura no domínio da nossa imaginação."
João

"Antes que alguém me pudesse processar, telefonei para um amigo bem informado sobre questões jurídicas a perguntar se está garantido na constituição o direito a adorar. Respondeu-me, em tom de troça, que, para cá da linha do Equador, jamais alguém se preocupou com isso."
João

"Apetece-me mandar-te à merda, para a puta que te pariu, para o diabo a quatro. Não o faço porque só me resta um polimento que acabei de encontrar, escondido, no canto esquerdo do mindinho do meu pé direito."
Rute

"Em qualquer país, boca ou idioma, o teu último parágrafo, para além de muito parecido com debates políticos nas televisões, só teria uma tradução: - Odeio-te, meu amor!"
João

"Com Torga te respondo «Perde-se a vida a desejá-la tanto. Só soubemos sofrer, enquanto o nosso amor. Durou. Mas o tempo passou, há calmaria... Não perturbes a paz que me foi dada. Ouvir de novo a tua voz seria matar a sede com água salgada.» A minha vitória será um dia mandar-te Eugénio, para dizer-te que «Já gastámos as palavras. Quando agora digo: meu amor, já não se passa absolutamente nada.» Por enquanto, não consigo..."
Rute

"Eu quero-te e quero-te e quero-te. Mas não quero que sabotes a minha paixão, não me apetece que me encostes a um percurso, a uma barreira inultrapassável. Como te disse já não tenho forças para algo que se me apresenta mais sonhado que concretizado."
João

"Fugi sempre, é bem verdade, e a tua fuga assustou-me. Infernizou-me a vida e a serenidade do previsível. E as minhas fugas foram as tuas e não soube lidar com quem, como eu, fugia. Foge para aqui. Não te deixo na soleira, nem no hall e não te prendo no elevador. Prometo. Abro-te a porta, os braços e o corpo."
Rute


- "Vieste para ser o meu livro", de Rita Marrafa de Carvalho e Eduardo Águaboa


Um dia vou "esquecer-me" do meu endereço de e-mail numa esplanada qualquer...

domingo, 26 de novembro de 2006

A Profecia dos Romanov

"(...) Eles pregam a nostalgia. Ausência de crime, pobreza mínima, garantias sociais. Essa mensagem soa bem aos ouvidos de uma nação a afundar-se em desespero. (...)"

"A Profecia dos Romanov", de Steve Berry, pág. 84


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sábado, 7 de outubro de 2006

Naked Pictures of Famous People

«The Children. There is a fable in Deuteronomy: a poor farmer from the Tribe of Levi came one day to King Solomon, the wisest of kings and the only one who could juggle. The farmer begged Solomon for his wisdom. "My only son has lost a baby tooth. All day and night he cries for reparation. He suffers liudly... even the cattle have complained." Solomon looked up from his crossword puzzle, pondered the farmer's dilemma and spoke. "Cut this child in half. Each family can have one half. This will end the dispute." The farmer looked stricken. "Gotcha!" said Solomon. "I'm sorry, sometimes I can't help myself." The farmer sighed. "How old's the boy?" asked Solomon. "Four plantings and half a harvest," replied the farmer. "Okay, here's what to do," continued the wise king, "Tell the boy to put the tooth under his pillow tonight. When he sleeps, replace the tooth with a piece of candy or a quarter. Tell him the... I don't know, the Angel of Teeth came down to reclaim his property. This will solve your problem." "Who will believe that?" the farmer asked skeptically. "What is lightning?" asked Solomon. "God testing batteries," the farmer replied. Solomon looked at the farmer knowingly. "Oh... I see what you mean," said the farmer. Solomon smiled, "Want to see me juggle two olives and a pomegranate?"
What is the point? People will believe anything if you catch them early enough.»

"Naked Pictures of Famous People", Jon Stewart - pp. 45/46

quarta-feira, 9 de agosto de 2006

Cunt: a declaration of independence



"I looked up «cunt» in Barbara G. Walker's twenty-five-year research opus,
The Women's Encyclopedia of Myths and Secrets, and found it was indeed a title, back in the day. «Cunt» is related to words from India, China, Ireland, Rome and Egypt. Such words were either titles of respect for women, priestesses and witches, or derivatives of the names of various goddesses:
In ancient writings, the word for «cunt» was synonymous with «woman», though not in the insulting modern sense. An Egyptologist was shocked to find the maxims of Ptah-Hotep «used for 'woman' a term that was more than blunt», though its indelicacy was not in the eye of the ancient beholder, only in that of the modern scholar. (Walker, 1983, 197)

The words «bitch» and «whore» have also shared a similar fate in our language. This seemed rather fishy to me. Three words which convey negative meanings about women, specifically, all happen to have once had totally positive associations about women, specifically."
____

"The inforced silence of women allows men's fear of us and our sexual power to reign unchallenged. Thus the wisdom of brilliant people such as Audre Lorde is not venerated, and we are still sent to schools where idiotic puds like Aristotle are worshipped.
A-hem:

Just as sometimes happens that deformed offspring are produced by deformed parents, and sometimes not, so the offspring produced by a female are sometimes female, sometimes not, but male. The reason is that the female is as it were a deformed male; and the menstrual charge is semen, though... it lacks one constituent, and only one, the principle of Soul... Thus the physical part, the body, comes from the female, and the Soul from the male, since the Soul is the essence of a particular body... females are weaker and colder in their nature, and we should look upon female state as being as it were a deformity, though one which occurs in the ordinary course of nature. (Aristotle, as quoted in Brown, 1986, 188)

To the best of my knowledge, it wasn't until 1968 when Valerie Solanas published her S.C.U.M Manifesto, that this particular form of intolerance was duplicated with any serious eloquence:

It is now technically possible to reproduce whithout the aid of males (or, for that matter, females) and to produce only females. We must begin immediately to do so. Retaining the male has not even the dubious purpose of reproduction. The male is a biological accident: the y (male) gene is an incomplete x (female) gene, that is, has an incomplete set of chromosomes. In other words, the male is an incomplete female, a walking abortion, aborted at gene stage. To be male is to be deficient, emotionally limited; maleness is a deficiency disease and males are emotional cripples.
The male is completely egocentric, trapped inside himself, incapable of empathizing or identifying with others, of love, friendship, affection or tenderness. He is a completely isolated unit, incapable of rapport with anyone. His responses are entirely visceral, not cerebral; his intelligence is a mere tool in the service of his drives and needs, he is incapable of mental passion, mental interaction; he can't relate to anything other than is own physical sensations. He is half dead, unresponsive lump, incapable of giving or receiving pleasure or happiness; consequently, he is at best an utter bore, an inoffensive blob, since only those capable of absorption in others can be charming. He is trapped in a twilight zone halfway between humans and apes, and is far worse than apes because, unlike the apes, he is capable of a large array of negative feelings - hate, jealousy, contempt, disgust, guilt, shame, doubt - and moreover he is
aware of what he is and isn't.

While Aristotle is lauded in our culture, Valerie Solanas is considered - when she's considered at all - to be a terribly unhinged individual who died homeless on the streets of San Francisco in 1988. Whereas, if you changed the pronoums throughout her manifesto, and backdated it a couple of decades, you'd probably have the ramblings of a brilliant, Pulitzer Prize-winning male scholar."
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"Asked to design a bilboard for the Public Art Fund (PAF) in New York (City), we welcomed the chance to do something that would appeal to a general audience. One Sunday morning we conducted a 'weenie count' at the Metropolitan Museum of Art in New York, comparing the number of nude males to nude females in the artworks on display. The results were very 'revealing'. (Guerrilla Girls, 1995, 61)

They designed a billboard depicting a reproduction of Ingres's reclining Odalisque, with a gorilla mask on her head and a dildo in the hand draped over her hip. Accompanying this image was the following statement: «Less than 5 percent of the artists in the Modern Art Sections are women, but 85 percent of the nude are female.»"
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"I was offered another profound perspective on the actual reality of American women when I interviewed Soraya Miré, a Somali woman who made Fire Eyes, a deeply moving, powerful film about genital mutilation.

In countries like mine, the law is blatantly against women. What we do have, though, is love and community. You never think only of yourself, you always think of your neighbors and family, too.
The problem with a lot of Western women is they think they can
help me, that they know what's best for me. Especially feminist women. They come into conversations waving the American flag, forever projecting the idea they are more intelligent than I am. I've learned that American women look at women like me to hide from their own pain. They can't face their pain, and mine is so obvious, they think they can help me without looking at themselves. But many women in this country are empty. They desperately try to find something to fill the empty space inside them - the loneliness deep inside. In my country, this kind of loneliness does not exist.
In America, women pay
the money that is theirs and no one else's to go to a doctor who cuts them up so they can create or sustain an image men want. Men are the mirror. Western women cut themselves up voluntarily. In my country, a child is woken up at three in the morning, held down and cut with a razor blade. She has no choice. Western women pay to get their bodies mutilated.
When you base your whole self-image on a man - on another human being - how can you expect that person - whether it's a man or a woman - to respect you? How can
you respect yourself when you do not have love and respect for yourself?"

"Cunt: a declaration of independence", Inga Muscio
____

Este livro fez-me pensar: há muito que mudar na mentalidade feminina e masculina sobre o ser Mulher.
Sem radicalismos, mas com assertividade, vamos mudar mentalidades, vamos deixar de objectificar a mulher e o seu corpo da forma como o fazemos agora; vamos dignificar a mulher, o homem, o ser humano!

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terça-feira, 25 de julho de 2006

"O Papalagui"



"Todos os Papalaguis (1) têm uma profissão. É difícil explicar-vos o que isso é. É qualquer coisa que uma pessoa devia ter vontade de fazer, mas que raramente tem."

"É raro que um Papalagui adulto saiba ainda dar cambalhotas ou fazer cabriolas como uma criança. Ao andar arrasta o corpo, como se houvesse alguma coisa a entravar-lhe os movimentos. Nega ele que isto seja uma fraqueza e pretende que correr, dar cambalhotas ou fazer cabriolas é contrário à dignidade de um indivíduo que se preze. Mas é uma explicação falsa, esta; na realidade, os seus ossos endureceram e tornaram-se rígidos e os músculos perderam toda a flexibilidade, pois a profissão dele os condenou ao sono e à morte."

"Com efeito, o homem não é constituído unicamente por uma mão, por um pé ou por uma cabeça: ele é tudo isso ao mesmo tempo. Mão, pé, cabeça foram feitos para estarem juntos. Um ser humano saudável sente-se realmente feliz quando todas as partes do seu corpo vivem em harmonia com os seus sentidos, e não quando apenas uma parte do seu corpo vive, e todas as outras estão mortas. Isso perturba, desespera e faz uma pessoa adoecer."

"Quando se pergunta a um Papalagui:«Porque é que pensas assim tanto?», ele responde:«Para não ficar estúpido!» Um Papalagui que não pense é considerado válea (2), quando, na verdade, se devia ter como sinal de inteligência encontrar alguém o seu caminho sem ter necessidade de pensar."

"O Papalagui, com a sua maneira de viver, prova-nos que pensar é uma doença grave, que grande valor rouba a um ser humano."

"(1) Papalagui designa o BRanco, o Estrangeiro, mas traduzido literalmente significa «o que trespassa o céu». O primeiro missionário branco a abordar Samoa ia num barco à vela. Vendo, de longe, o barco, tomaram os indígenas as suas velas brancas por um buraco feito no céu, pelo qual o Branco descia até eles; e foi assim que este «trespassou» o céu."

(2) Estúpido


"O Papalagui - discursos de tuiavii chefe de tribo de tiavéa nos mares do sul"

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quarta-feira, 19 de julho de 2006

"Un viejo que leía novelas de amor"



"Arriba, al borde de la pendiente, la hembra movía el rabo frenética. Las pequeñas orejas vibrabam captando todos los ruidos de la selva, pero no atacaba. Sorprendido, el viejo se movió lentamente hata recuperar la escopeta. - Por qué no atacas? Qué juego es este? Abrió los martillos percutores y se echó el arma a los ojos. A esa distancia no podía fallar. Arriba, el animal no despegaba los ojos de encima. De improviso, rugió, triste y cansada, y se echó sobre las patas. La débil respuesta del macho le llegó muy cerca y no costó encontrarlo. Era más pequeño que la hembra y estaba tendido al amparo de un tronco hueco. Presentaba la piel pegada al esqueleto y un muslo casi arrancado del cuerpo por una perdigonada. El animal apenas respiraba, y la agonía se veía dolorosíssima. - Eso buscabas? Que le diera el tiro de gracia? - gritó el viejo hacia la altura, y la hembra se ocultó entre las plantas. Se acercó al macho herido y le palmoteó la cabeza. El animal apenas alzó un párpado, y al examinar con detención la herida vio que se lo empezaban a comer las hormigas. Puso los dos cañones en el pecho del animal. - Lo siento, compañero. Ese gringo hijo de la gran puta nos jodió la vida a todos. - Y disparó." (...) "Entonces apretó los gatillos y el animal se detuvo en el aire, quebró el cuerpo a un costado y cayó pesadamente con el pecho abierto por la dobre perdigonada. Antonio José Bolívar Proaño se incorporó lentamente. Se acercó al animal muerto y se estremeció al ver que la doble carga la había destrozado. El pecho era un cardenal gigantesco y por la espalda asomaban restos de tripas y pulmones deshechos. Eramás grande de lo que había pensado al verla por primeira vez. Flaca y todo, era un animal soberbio, hermoso, una obra maestra de gallardía imposible de reproducir ni con el pensamiento. El viejo la acarició, ignorando el dolor del pie herido, y lloró avergonzado, sintiéndose indigno, envilecido, en ningún caso vencedor de esa batalla. Con los ojos nublados de lágrimas y lluvia, empujó el cuerpo del animal hasta la orilla del río, y las aguas se lo llevaron selva adentro, hasta los territorios jamás profanados por el hombre blanco, hasta el encuentro con el Amazonas, hacia los rápidos donde sería destrozado por puñales de piedra, a salvo para siempre de las indignas alimañas. Enseguida arrojó con furia la escopeta y la vio hundirse sin gloria. Bestia de metal indeseada por todas las criaturas. Antonio José Bolívar Proaño se quitó la dentadura postiza, la guardó envuelta en el pañuelo y, sin dejar de maldecir al gringo inaugurador de la tragedia, al alcalde, a los buscadores de oro, a todos los que emputecían la virginidad de su amazonía, cortó de un machetazo una gruesa rama, y apoyado en ella se echó a andar en pos de El Edilio, de su choza, y de sus novelas que hablaban del amor con palabras tan hermosas que a veces le haían olvidar la barbarie humana."

"Un viejo que leía novelas de amor", Luis Sepúlveda

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quarta-feira, 12 de julho de 2006

"The Virgin Suicides"



"We knew what it felt like to see a boy with his shirt off (...).

We knew the pain of winter wind rushing up your skirt, and the ache of keeping your knees together in class, and how drab and infuriating it was to jump rope while the boys played baseball. We could never understand why the girls care so much about being mature, or why they felt compelled to compliment each other, but sometimes, after one of us had read a long portion of the diary out loud, we had to fight back the urge to hug one another or to tell each other how pretty we were. We felt the imprisonment of being a girl, the way it made your mind active and dreamy, and how you ended up knowing which colors went together. We knew that the girls were our twins, that we all existed in space like animals with identical skins, and that they knew everything about us though we couldn´t fathom them at all. We knew, finally, that the girls were really women in duisguise, that they understood love and even death, and that our job was merely to create the noise that seemed to fascinate them."

"The Virgin Suicides", Jeffrey Eugenides

domingo, 2 de julho de 2006

"The Secret Life of Bees"



"«I was wondering -» I stopped, looking for a way to ask her.

«You were wondering if there was ever a time when I almost got married.»
«Yeah,» I said. «I guess I was.»
«I decided against marrying altogether. There were enough restrictions in my life without someone expecting me to wait on him hand and foot. Not that I'm against marrying, Lily. I'm just against how it's set up.»
(...)
«Weren't you ever in love?» I asked.
«Being in love and getting married, now, that's two different things. I was in love once, of course I was. Nobody should go through life without falling in love.»
«But you didn't love him enough to marry him?»
She smiled at me. «I loved him enough,» she said. «I just loved my freedom more.»

(...)

She laughed again. «You know, some things don't matter much, Lily. Like the color of a house. How big is that in the overall scheme of life? But lifting a person's heart - now, that matters. The whole problem with people is - »
«They don't know what matters and what doesn't,» I said, filling her sentence and feeling proud of myself for doing so.
«I was gonna say, The problem is they know what matters, but they don't choose it. You know how hard that is, Lily? I love May, but it was still so hard to choose Caribbean Pink. The hardest thing on earth is choosing what matters.»"

(...)

«You've been halfway living your life too long. MAy was saying that when it's time to die, go ahead and die, and when it's time to live, live. Don't sort-of-maybe live, but live like you're going all out, like you're not afraid.»

"The Secret Life of Bees", Sue Monk Kidd